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quarta-feira, 4 de setembro de 2019

"BLACK OR WHITE" e "DANGEROUS"

Uma leitura dos símbolos 


AS MENSAGENS OCULTAS DE "BLACK OR WHITE"

Nasceu negro e foi ficando branco... Em se tratando de Michael, parece que Deus faz de propósito para ensinar alguma coisa à humanidade. Doeu nele... doeu muito, mas a grandes missionários são dados grandes desafios... Seus limites são desafiados e, ao transcendê-los, eles ascensionam.

Black or White foi um grito desesperado e indignado de toda uma etnia escorraçada da sociedade, única e exclusivamente pela cor da pele. Pura ignorância e bestialidade! A dor de Michael estampada naquele curta-metragem é a mesma dor de milhões de pessoas caluniadas e difamadas neste planeta, onde a dualidade e a negatividade imperam.

Acusado de ser ele o racista, por supostamente estar branqueando a própria pele por ter vergonha de ser negro, a mídia ignorou, propositalmente, as nítidas manchas características de um processo de vitiligo, em Michael. O importante era, mais uma vez, difamar para faturar. E a dor de mais esse ataque da Elite Global explodiu em Black or White.

Os quatro minutos finais da versão completa de Black or White, transmitidos para mais de 500 milhões de pessoas, em 27 países, provocou a ira dos puritanos americanos. Alegando que as cenas incentivavam a violência, elas foram cortadas do clipe original, e Michael se retratou com um pedido de desculpas na mídia. Acontece que aqueles eram os quatro minutos mais importantes do vídeo inteiro!

E aqui me valho das considerações de fã, Pietro, em seu Blog, por expressarem exatamente o que pude perceber desse ousado e denunciador curta-metragem de Jackson:


1) Aos 06:48 e 10:43, Michael se transforma em uma pantera negra: Os Panteras Negras eram um grupo político que surgiu nos anos 60, nos EUA, com o intuito de proteger os guetos negros de policiais e racistas. Em determinada época, os Panteras Negras defendiam o armamento, a isenção de impostos e o pagamento de indenizações pelos anos de escravidão a todos os negros da América. Com o passar do tempo, a rebeldia anárquica foi dando espaço à política, e os Panteras passaram a investir em serviços sociais nas comunidades carentes.

2) Dançar sem música – Michael não dança sem música. É um recado para os críticos, do tipo “vocês não estão me ouvindo, mas eu não vou parar por causa disso”. Por causa da mudança de cor, MJ foi bombardeado pela mídia. Black or White nada mais é do que um desabafo do astro contra a discriminação que estava sofrendo.

3) Cantando na Chuva, aos 08:32: – Uma rua deserta, um poste e um dançarino. Deem um guarda-chuva a Michael e um pouco de água caindo de cima e nós temos a mesma cena imortalizada por Gene Kelly.

4) O quebra-quebra – Porque MJ arrebenta com tudo que está na rua? É só olhar com um pouco de atenção: suásticas invertidas, Ku-Klux-Klan, mensagens de ódio e de preconceito estão pichadas nas coisas que ele quebra. Chega de discriminação, chega de intolerância, é essa a mensagem.

5) O pecado mora ao lado (aos 09:40) – Lembrei-me da famosa cena da Marilyn Monroe no bueiro, quando uma lufada de ar levanta seu vestido, dadas as suas devidas diferenças, obviamente. O curta-metragem não economiza referências à cultura pop americana, dos filmes antigos de sucesso aos Simpsons (não é por nada, mas no início do clipe, aquela história de pai discutindo com o filho por causa da música, não lembra uma certa banda?).

6) Aos 10:10, MJ cai no chão, rasga a roupa e solta um berro – É o momento mais cheio de referências. Impossível não lembrar de Highlander – O Imortal. Pode ser interpretado como “Critiquem-me, desmoralizem-me, mas não vão me destruir porque eu sou imortal”. Rasgar as roupas e berrar é como se fosse um símbolo para a libertação. Depois do desabafo, o alívio. E na fachada do hotel que desaba está escrito “Royal Arms Hotel”. “Royal Arms” é o nome designado às tropas armadas imperialistas, podendo servir para as tropas da Inglaterra ou para os guerrilheiros dos países da África do Sul, em constante guerra étnica.
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A SIMBOLOGIA DE “Dangerous”


Em “Dangerous”, o enigma não está na música, mas na capa do álbum... Algo como um jogo de cifras, algo de uma subjetividade tal que gerou inúmeras interpretações, porém, certeza alguma. Em se tratando de Michael, nada, absolutamente nada é por acaso ou um mero detalhe. Mistérios de Jackson, que nunca se revela, apenas nos provoca a imaginação. Tentemos vasculhar alguns símbolos sem a pretensão de achá-los a expressão da verdade.

- Busto de um menino com metade do rosto negro e outra metade branco, este sim uma nítida alusão à condição de Michael, àquela época, por conta do avanço do vitiligo. Acusado de racismo, de não querer ser negro, o branco e o preto justapostos representam que independentemente da cor, o homem é o mesmo.

- Globo terrestre de cabeça para baixo, de onde saem caveiras, mísseis, armas de fogo, anjos, estrelas, o átomo, etc., representando a inversão dos valores, a luta entre o Bem e o Mal, a destruição do Planeta patrocinada pela sociedade inconsciente e gananciosa e um mundo dual (3ª dimensão).

- Macaco sendo coroado por dois anjos remete ao próprio Michael, pois o pai lhe dizia, quando criança e adolescente, que ele era feio como um macaco. Mas ainda que feio, o macaco era Rei. Por outro lado, o macaco era um animal sagrado para os egípcios, e na cultura chinesa, ele representa a sabedoria.

- Na esteira do castelo (tipo trem fantasma), de um lado a natureza (chipanzé, rato, veado e elefante) e do outro saem do castelo uma criança loira com um “M” na camisa, possivelmente, Macaulay Culkin, grande amigo de Michael desde muito menino e que participou do curta “Black & White”; um animal talvez pré-histórico, o esqueleto do homem-elefante e o próprio Michael-menino. Macaulay, Michael e o homem-elefante tiveram em comum uma infância muito difícil, mutilada.

- O Rei-cachorro e a Rainha-pássaro representariam, talvez, os próprios pais de Jackson. Michael temia o pai e tinha medo de cachorros. A mãe, um pássaro, simbolizando a fragilidade e a sensibilidade, qualidades que ele sempre atribuiu à Katherine Jackson. De um lado a força, do outro lado o afeto, o equilíbrio e o conforto.

- A presença de um cachorro-rei, possivelmente, representa o sentido de realeza e militarismo que é sempre retratado na figura de Michael (guerreiro do Bem, que é o arquétipo de Arcanjo Miguel, a mesma consciência que encarnou o deus egípcio Anúbis, com um corpo de matriz canidae siriana). Note-se que a figura tem luvas brancas em apenas uma das mãos, segurando um cetro, cujo cabo é uma cabeça de pássaro real. Seria uma alusão ao cristo siriano Hórus, que também foi Arcanjo Miguel? Branco é o símbolo da pureza e da inocência, características marcantes da sua personalidade. O cetro do lado direito traz uma mão fazendo o mudra crístico que Jesus sempre usava, em sua caminhada na Terra. Por outro lado, a rainha, na figura de um pássaro real, segura em uma das mãos, também com uma única luva branca, um cetro com uma cabeça de cachorro na ponta. Arrisco dizer que Michael está representando sua androgenia, seu perfeito equilíbrio da energia masculina e feminina ou a fusão de seus aspectos masculino e feminino em um só corpo, portanto, um ser divino. Isso fica claro por uma bolha, saindo de uma espécie de cordão umbilical na rainha. Dentro da bolha, um casal.

- Simbologia dos números. O “7” (numerologia da evolução, espiritualidade ou infinito) aparece várias vezes, entre elas, na cartola do boneco, o pulso da mão que segura uma criança. Juntando essa sequência com o “9” (numerologia da completude, fechamento de ciclo) na cabeça do elefante teremos: 7-7-9. O memorial de Jackson foi em 7/7/2009. Coincidência?

- Vale registrar que o simbolismo do número “9” é bastante forte. É o número da paciência, da meditação, da harmonia, da completude; representa a inspiração e a perfeição das ideias. É a expressão do poder do Espírito Santo, na concepção religiosa. Símbolo da criação e da vida como um ritmo e desenvolvimento. É o número de quem realiza a vontade divina. É o número da conquista do eterno, da imortalidade, não no sentido de tempo infinito, mas no sentido do não-tempo. O nove era considerado sagrado no Antigo Egito e na Antiga Grécia.

- Palma da mão com o desenho de um mapa e uma criança pobre em cima, segurando a caveira de um crocodilo. Simbologia da proteção de Michael a todas as crianças e animais. A mão é nitidamente de Michael, por que tem esparadrapos nos dedos.

- Em todo cenário há uma profusão de anjos, colunas gregas com suas estátuas. Remeteria à sabedoria das civilizações antigas (egípcia e grega) na idade de ouro da Raça Ária. Ou nos remete aos reinos celestiais que Michael representa e de onde provém sua consciência?

- Vemos o símbolo do Pentagrama em dois pontos estratégicos: acima da imagem de Michael com traje militar (guerreiro do bem) e abaixo dos seus olhos em destaque na parte superior, onde se pode ver um pavão. Lembro aqui que o símbolo do Pentagrama representa a conexão da parte material e espiritual do homem, ou um Ser iluminado. E o pavão tem a mesma representação.

- Homem de terno simbolizaria os homens de poder, que tanto pode representar os governos, quanto a máfia (que controla o mundo do entretenimento, o sistema econômico e religioso), ou as seitas que igualmente exercem poder sobre o Poder. Michael sempre foi perseguido por todos eles por seu envolvimento em causas humanitárias e sua insistência em denunciá-los e exortar a Humanidade ao Amor.

- O Portal do pirata, o homem de terno, o “olho que tudo vê” e o globo terrestre invertido estão no mesmo plano. Seria a representação do caos, do domínio temporário do lado escuro da força?

- Em condição elevada estão os olhos de Michael..., observando ou protegendo? Representaria, talvez, que ele está acima de tudo isso, inatingível... ou no comando de todo um processo planetário do caos que precede a transformação? Ou ele está acima dos poderes terrenais: Reis e rainhas, grandes ditadores, seitas dominadoras (religiosas ou não), todas as misérias do mundo físico?

Os olhos maquiados, circundados de preto, remetem aos olhos de Hórus, divindade egípcia (filho de Isis e Osíris), que representa o poder do Bem, da Justiça e a proteção. Desde muito cedo na carreira, Michael traz sempre seus olhos maquiados similarmente aos olhos dos faraós egípcios. Da mesma forma como representa a deusa Isis no curta-metragem You Are Not Alone. Note-se que a entidade que o envolve (proteção divina) no final não é um anjo, mas sim Isis, a deusa egípcia, esposa de Osíris e mãe de Hórus. Os anjos são representados com as asas nas costas e Isis tem suas asas ao longo dos braços. 

“Dangerous” não é a garota voluptuosa e sedutora da música, que o induz a trair a namorada. Perigosa são as pessoas e instituições que o perseguiram e machucaram ao longo da sua existência. A capa de “Dangerous” é uma denúncia velada ao mal que, por enquanto, vence as batalhas, mas que, por intermédio de Michael, irá perder a guerra. O Bem sempre vence no final, pois ninguém pode deter o poder da Luz.

Atentemos para as várias versões da coreografia de “Dangerous” e veremos que Michael não se dirige a nenhuma garota fogosa, mas a um bando de gangsters que o cercam e ele os derruba a todos, um a um. Note-se que todos usam luvas vermelhas, representando as mãos sujas do sangue derramado na Terra. Somente Michael tem as mãos nuas, limpas, ou seja, ele é o representante da Luz. Mesmo porque, hoje já sabemos que a personalidade Michael Jackson foi a encarnação da consciência de Arcanjo Miguel, na tridimensionalidade. 

Portanto, a garota perigosa por sua volúpia de Dangerous é somente um bode expiatório para quem não poderia citar nomes.

E encerro com um texto muito inteligente e significativo de Dayan Blue:

"Ele não canta somente, ele é, ele vive a música, ele se torna um aparelho eletroquímico de reprodução harmônica, melódica e percussiva. Assim como nossos aparelhos de CD leem as refrações de um feixe de raios laser, e convertem essas alterações luminosas em som, Michael parece sentir a música, extraí-la de um lugar qualquer em sua alma, e usa o corpo todo como forma de traduzir o sentimento. [...] O melhor disso tudo, é que podemos ter a total certeza de que, ao compreendermos as intenções desse artista tão inigualável, e conseguirmos captar essas magias submersas em suas músicas, temos sim, muito da alma dele dentro de nós. Somos parte de um todo, estamos em sintonia com o ‘mestre’.’’
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DIREITOS AUTORAIS

Este artigo é protegido por direitos autorais. O autor dá permissão de compartilhá-lo, através de qualquer meio, contanto que os créditos sejam incluídos: nome do autor, data da postagem e o local onde se obteve a informação divulgada com o corpo da mensagem. É expressamente proibida sua comercialização sob qualquer forma ou seu conteúdo adulterado ou parcialmente divulgado (trechos da mensagem) ou utilizado para base de qualquer trabalho sem prévia permissão do autor. Sempre incluir o endereço eletrônico do site oficial no Brasil: http://michaelsiriano.blogspot.com.


quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

 Can You Feel It” e “Hold My Hand


É notório, a olho nu, que os curta-metragens de Michael, concebidos para lançar os singles de seus álbuns, têm muito pouco ou nada a ver com as letras das canções que representam. São roteiros fortes, extremamente criativos, de conteúdos esotéricos, significados profundos e simbolismos sofisticados; que nem de longe casam com as ingênuas e simplistas letras de algumas canções. Talvez, propositalmente ingênuas e simples... Michael, na verdade, é um exímio charadista.

Quando The Jacksons lançaram “Can You Feel It” (1981), uma canção de cunho quase religioso, exortando a solidariedade e o amor entre os homens, eu confesso que não entendi nada do curta-metragem “Can You Feel It”; apenas um inegável show de efeitos especiais.

Hoje, meus olhos são outros, consequentemente, meu entendimento também, fazendo com que o enredo do filme fique claro e cristalino. Nele, Michael retrata, de forma surpreendente, a chegada das almas de luz (a semeadura da raça adâmica) para encenarem o experimento humano na terceira dimensão; uma dimensão energeticamente densa, onde impera a dualidade extrema e, mais tarde, sustentarem a grande transformação da Terra. Vejamos os detalhes, lembrando que o filme foi feito em 1981.

O vídeo inicia-se com a seguinte narração:

- “No início a terra era pura. Até mesmo em meio à luz matinal, era possível ver a beleza nas formas da natureza. Homens e mulheres de toda cor e tamanho aparecerão por aqui também. Haverá vezes que eles irão achar muito fácil não reparar nas cores. E ignorar a beleza nos outros. Mas eles jamais perderiam de vista o sonho de um mundo melhor que eles poderiam unir e construir juntos... em triunfo”.

Michael fala da Terra no início de sua formação, da natureza ainda virgem e do aparecimento do homem no planeta. Com o tempo, o homem foi se afastando da sua natureza divina... como, por exemplo, não reparar nas cores e ignorar a beleza dos outros, e se materializando sob o domínio da mente. Porém, a essência adormecida (a alma) não se desliga da sua natureza e o Bem sempre vence no final, iluminando os seres.

- Há uma explosão solar e os cinco Jacksons descem para a Terra com a sua arte. Seus corpos brilham (representando corpos solares = ou seja, seres iluminados) e eles espargem luz sobre o planeta e sobre as pessoas. Parece-nos uma nítida representação dos chamados “Trabalhadores da Luz” – sementes estelares que vieram à Terra auxiliar no processo de ascensão dimensional. Ao receberem essas partículas de luz, as cabeças se iluminam (o que significa a expansão de consciência, o despertar espiritual) e os semblantes passam a demonstrar felicidade.

- Em um dado momento, Michael levanta um arco-íris, formado ao longo de uma ponte, esticando os dois braços para o alto. A Ponte do Arco-Íris, esotericamente, representa a ligação entre o divino e o humano.

- Com as mãos de Michael apontando para cima, um intenso facho de luz começa a sair da sua cabeça, atingindo uma extensão surpreendente. Lembremos que o arco-íris, no Esoterismo Islâmico, representa as sete virtudes divinas e a forma como elas se refletem no Universo. Espiritualmente, o arco-íris é o símbolo do pacto (aliança) entre Deus e a Humanidade remanescente do dilúvio universal que afundou o continente da Atlântida e a civilização Atlante, a exceção de Noé (Noha) e os seres abrigados em sua arca.

- Um sol em chamas aparece com um rosto de mulher, representando o Sol Central da Galáxia, que proverá toda essa profusão de luz fotônica sobre o planeta e que muitos confundem como sendo Alcyone, o principal dos sóis das Plêiades. Mas, na verdade, Alcyone é a sede da administração central desse quadrante da Galáxia, em que a Terra está inserida, e que gerencia as ações cósmicas desta transição.

- Na sequência, nosso sol vai se apagando e a Terra fica envolta em penumbra densa. Isso pode significar um possível período de três a cinco dias, quando o Planeta ingressar na zona neutra do Cinturão de Fótons; tese defendida por muitos pesquisadores. Particularmente, entendo como sendo o período de intensificação da dualidade e da negatividade, que antecederá o grande pulso galáctico, catapultando a Terra e a Humanidade ressonante a uma oitava acima, ou seja, a 5ª. Dimensão. Período este que estamos vivendo exatamente agora.

- As pessoas ficam assustadas, sem saber o que está acontecendo, até que o sol explode em uma bola de fogo (o grande pulso do Sol Central). Aí, elas ficam maravilhadas e, ao mesmo tempo, perplexas.

- Do meio das pessoas surge um índio ancião e parece ser a única pessoa que está entendendo o significado de uma pena de pavão envolta em luz que foi expelida pelo novo Sol. Seria um representante dos Maias, em uma alusão às profecias sobre o fim do ciclo das trevas e entrada da Nova Era da Luz? Ele oferece a mão a um garotinho negro (Michael?). Daí em diante, todas as pessoas presentes começam a se dar as mãos, felizes. É o fim da Matrix de controle do poder das forças contrárias à Luz, na Terra.

- A pequena pena colorida e solitária multiplica-se em um leque de penas idênticas. O pavão, para muitas escolas do pensamento, compara-se à Phênix egípcia, que significa ressurreição, renovação, reestruturação e imortalidade. Mesmo para o Cristianismo, o pavão representa a ressurreição e a imortalidade. Juntem-se aí os mais variados significados nas diversas culturas e épocas: nobreza, realeza, santidade, orientação, proteção, vigilância, glória, visão, espiritualidade, despertar, refinamento, incorruptibilidade.

- Cumpriu-se o Calendário Maia? A Terra aparece envolta em um aro de luz e os Jacksons descem do Cosmo novamente.

Reitero que Michael produziu esse videoclipe em 1981, quando quase ninguém falava em transição planetária, em Calendário Maia, em Era da Luz...
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Quebrando a sequência dos curtas, parece que “Hold My Hand”, lançado em 2010, para promover o primeiro single do CD póstumo “Michael”, é claramente uma continuação de “Can You Feel It”.

Um trecho da letra é bastante significativo:
“Porque eu estive lá antes/E você esteve lá antes/Mas, juntos podemos ficar bem/Porque quando se torna escuro, e quando se torna frio/Nós podemos apenas nos abraçar, até vermos a luz do sol”.

Mas o vídeo “Hold My Hand” é mais intrigante.

- Inicia-se com várias pessoas na frente de uma enorme construção semelhante a um templo. Alguma alusão ao Templo de Jerusalém? Segundo as profecias, a reconstrução do 3º Templo prenuncia o Apocalipse e o retorno do Cristo. // Reforce-se que o Apocalipse não é a destruição, mas a desconstrução das ilusões para a instauração da Verdade na Terra.

- Pessoas agradecem a Michael, dizem que o amam e um garotinho pede que ele volte: “Come back”! Ele grita.

- Um piano vazio..., o carrossel de Neverland vazio..., uma luva solitária..., pessoas hospitalizadas sentindo-se desamparadas..., pessoas chorando de tristeza retratam a ausência física de Michael, nesta fase da transição.

- É constante a imagem de uma luz vinda do cosmos. Humanos, envoltos em toda sorte de sofrimentos, encontram alívio nessa luz e a tristeza parece transformar-se em esperança para todos. Essa luz seria a energia de Michael ainda atuando nas pessoas, pela ligação amorosa com elas?

- Várias vezes aparece um portal, crianças brincam alegres e, por vezes, o transpõem. Possivelmente, é a representação dos portais energéticos de dimensões mais altas do que a nossa que estão sendo abertos gradativamente para a emanação da energia Crística sobre o planeta. Esotericamente, seriam 12 portais que seriam abertos até 2012. E crianças têm extrema facilidade de transitarem vibracionalmente entre dimensões.

- Em um único e rápido momento, focaliza-se uma imagem – dos ombros para baixo - que parece fazer alusão a Jesus, onde aparecem somente as mãos cruzadas sobre a túnica branca. Note-se que no tema “segure minhas mãos”, Michael não faz alusão às mãos de Jesus, mas as suas próprias mãos. Fica clara a alusão de que ele é um foco da energia Crística, que transmuta tudo em amor.

- No início e nas cenas finais do filme, um feixe de luz produz a imagem de uma cruz de oito braços e Michael está atrás dessa luz. A cruz de oito braços é um símbolo Ortodoxo que simboliza a unidade indispensável para o início de um novo ciclo de evolução (união da natureza humana com a natureza divina). É o simbolismo da morte do velho para o surgimento do novo homem, regido pelo seu Eu Superior, pela consciência expandida. Resumindo, a reconexão com a energia Crística.

- Novamente, vemos a figura da deusa Isis envolvendo Michael com suas asas protetoras (cena de “Will You Be There”). Isis representa a fertilidade, o sagrado feminino, a esposa e mãe perfeita, o amor que tudo vence.

- Pessoas tristes, sofridas, doentes, crianças... inundadas com a energia do Amor – o amor de Michael, que se oferece como um porto seguro para as pessoas se agarrarem, vão se dando as mãos entre si, se unindo em amor e se curando por dentro.

- Crianças entendem a sua ausência, o seu adeus, que faz doer, mas cura as pessoas. Michael se despede, jogando um beijo com a ponta dos dedos, e as crianças acenam para ele, sorridentes, alegres... Sem a angústia de uma despedida... mas apenas um “até breve”.

- Por fim, a cena final mostra alguém caminhando, pisando uma poça d’água semelhante ao retorno de Michael no filme Moonwalker, quando as crianças pensaram que ele havia ido embora para sempre.

- Registre-se, ainda, que a imagem característica do clipe são duas pessoas de mãos dadas, formando um “M”, com uma luz refletindo à frente delas. Exatamente a mesma imagem de “Can You Feel It”.

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Link “Can You Feel It”: https://www.youtube.com/watch?v=9nP4WE_-uqE
Link “Hold My Hand”: https://www.youtube.com/watch?v=-oCCnxBos10
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DIREITO AUTORAIS

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quarta-feira, 25 de julho de 2018

THRILLER (Suspense)
Versões 1982 e 2009


Uma metáfora brilhantemente construída

Vamos navegar um pouco pelos suspenses das duas versões de Thriller – a de 1982 e a de 2009... e os 27 anos entre uma e outra.

Que “Thriller” é o sexto e mais bem-sucedido álbum de Michael Jackson, todos já sabemos, com mais de 115 milhões de cópias vendidas, em estimativa atual. Mas para quem gosta de mergulhar nos mistérios e enigmas de Michael, Thriller é muito mais do que o álbum mais vendido no mundo, em todos os tempos: Thriller é mais um intrincado quebra-cabeças, com peças que se encaixaram 27 anos depois.

A letra da canção, em si, é a mesma e fala sobre os perigos da noite e as criaturas que ela pode esconder... Fala sobre o medo, os sustos, e até mesmo sobre confundirmos ilusão e realidade.

Na trama do primeiro filme – “Thriller”, dois jovens caminham a pé, após o carro ter ficado sem combustível. Em dado momento, o rapaz se declara para a mocinha e espera que ela sinta o mesmo por ele. Ela confirma corresponder aos seus sentimentos e se tornam namorados.

Mas há um segredo que o rapaz precisa dizer à sua amada: ele não é como os outros.

Aqui começa o contexto misterioso da trama, porque Michael se mistura na história, dando seu nome ao personagem. Tornam-se um só: ficção e realidade.

Por que Michael não seria como os outros? Qual a semelhança entre o Michael personagem e o Michael real? Ele também carregaria um segredo, a exemplo do personagem?

Logo o segredo é revelado: o rapaz se transforma em uma espécie de lobisomem, em noites de lua cheia.

Ora, todo trabalho de Michael, em filmes, são uma grande metáfora, com fundo de verdade e uma certa conexão com a realidade. Isso é notório porque a letra das canções que são retratadas em filmes não têm muito, ou nada, a ver com o conteúdo do roteiro destes, salvo algumas frases provocativas.

A essa altura, fica claro que o casal, na verdade, está assistindo a um filme de terror e suspense, no cinema, e a namorada, com medo, resolver sair da sala de projeção. Michael vai atrás dela e, no caminho de volta para casa, decide provocá-la e assustá-la, cantando Thriller, mas ela não cai na armadilha dele e até se diverte.

Aqui terminam os confetes e escapismos e entramos no âmago do mistério e do suspense...

No caminho, eles passam por um cemitério e, quando isso acontece, os mortos voltam à vida e saem de seus túmulos, seguindo o casal. E a moça descobre que Michael também é um morto-vivo.

Óbvio que a garota tenta fugir, mas Michael a alcança; e quando tudo parece perdido, ela acorda e está tudo bem: ela apenas teve um sonho ou uma visão. Porém, quando Michael se oferece para levá-la até em casa, o espectador percebe que o sonho dela pode ter sido bem real.

O jogo entre ilusão e realidade representa muito bem os hologramas em que vivemos, na terceira dimensão – a chamada “Matrix”, que, ao mesmo tempo, é um jogo de luz e sombras na experiências dual, e que está chegando ao fim, à medida que mais e mais pessoas despertam para essa realidade no planeta.

Voltemos à pitoresca cena do cemitério e dos mortos vivos... Michael parece exercer um certo comando sobre esses seres, como um líder, como um deles; porém, maior do que eles. Atentem para um outro pormenor: quando o casal passa pelo cemitério, Michael toca em uma das colunas da entrada. Esse detalhe é extremamente significativo, porque os mortos não retornam por acaso: é Michael quem os faz voltar à vida e eles se limitam a seguir seu líder.

Ele se mostra em duas realidades diferentes, porém, simultâneas: a condição humana e a condição espiritual. Portanto, ele é um ser diferente dos outros mortais, multidimensional, pois os seres comuns vivem uma dessas realidades de cada vez.

Lembremos que, anos depois, em GHOST, ele volta ao mesmo cenário, vivendo mais uma vez duas realidades simultâneas e exercendo liderança sobre os mortos-vivos. Mais uma vez, enfocando uma situação de provocar assombro às pessoas comuns, dominadas pelo medo, com exceção das crianças.

Portanto, essa representação não é uma mera coincidência e, sim, uma reincidência. E Michael Jackson é um dos roteiristas mais criativos do mundo, na história dos curta-metragens, e uma das pessoas mais perfeccionistas que se conhece; então, jamais seria repetitivo por descuido.

Estamos em meio a um processo de despertar consciencial planetário em massa, um salto quântico que fará muitos saírem da ilusão dos hologramas-matrix e viverem a realidade pelo que ela é, de forma consciente... Esse tão decantado Juizo Final, que nada tem a ver com o fim do mundo e muito menos com a ressurreição de corpos físicos deixados pelas almas que já desencarnaram. Os “mortos” a serem ressucitados são aqueles que dormem na ilusão holográfica da dualidade.

E Michael não fez outra coisa na vida a não ser a não ser tentar nos acordar para a realidade do Amor Universal, que transcende a dualidade. Ele tentou tocar a alma do maior número de pessoas que lhe foi possível (o toque no portal do cemitério). Por isso tanto sucesso e tantos fãs... fãs nos cinco continentes. Sua carreira foi um meio e não um fim: um meio para que pudesse cumprir seu propósito divino de despertar multidões.

No filme, a mocinha cheia de medo oscila entre ilusão e realidade, tantando fugir de uma situação sobre a qual não tem controle. Não há como escapar ao Juizo Final: ou despertamos do sono tridimensional ou deixamos o planeta e vamos continuar dormindo em outro orbe. Mas, para despetarmos, temos o auxílio, a orientação e a condução dos Seres de Luz dos Reinos Superiores.

Reparem neste trecho da letra: “... A escuridão cai sobre a Terra / Ninguém vai te salvar do monstro prestes a atacar / Posso te assustar mais do que qualquer fantasma poderia tentar / Deixe-me conduzi-la dentro desse “Thriller”.

E o que você vê é, relamente, um cenário sombrio, cinzento... Michael é metafórico por excelência e essa “escuridão” a que ele se refere nada mais é do que o caos. É preciso mergulhar no caos para promover a mudança e o medo nos assalta, pois sequer conseguimos distinguir ilusão e realidade.

E por que Michael poderia nos assustar mais do que os fantasmas do medo? Porque ele representa a Luz, o nosso lado Luz, a consciência elevada. Mas estamos tão adaptados às sombras, ao caos, que tememos muito mais a Luz: a nossa e a dos outros.

Quando falo de caos, não me refiro apenas ao caos externo, mas principalmente ao caos interno, o enfrentamento com nossos egos para alcançarmos a iluminação.

E Michael se oferece para nos conduzir nesse processo de abraçar nossa essência espiritual/divina, a atravessar a Ponte do Arco-Iris.
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Vamos mergulhar um pouco mais fundo nesse Thriller e embarcar para o Egito Antigo, de antes dos faraós... Não, não se espante, porque Michael tem verdadeira fascinação pela Árica, em especial o Egito. E também já deixamos claro, em outros vídeos e publicações, da nossa convicção de Michael ser a encarnação da consciência de Miguel Arcanjo.

OK, mas e o Egito Antigo...? O Deus Anubis (ou Empu), sobrinho da Deusa Isis, também foi uma expressão de Arcanjo Miguel, encarnado em um corpo de matriz Felidae. E representava o Guardião do Conhecimento Secreto e dos Portais do Além. Era Anubis quem, na Psicostásia egípcia (o Juizo Final), pesava o coração das almas e determinava se elas ascensionavam – ou seja, saíam da Roda de Sansara – ou se voltavam a reencarnar, em busca de um maior nível de consciência e vibração nas frequências da Luz, e pureza de coração... Lembram-se dos “puros de coração” a que noso Rabi da Galileia sempre se referia?

E o mesmo Miguel se sincretiza nos arquétipos das religiões afrobrasileiras (além de Ogun e Xangô) como o orixá Exu-Rei, o Guardião do Portal das Almas e Senhor do Caminho... Sim, um Orixá Tronado, que faz exatamente o que Anubis fazia na mitologia egípcia: conduzir as almas à ascensão, após tê-las pesado na balança da Justiça Divina (a Lei e Ordem Cósmicas).

Alguma semelhança com a cena dos portões do cemitério de Thriller? Deixo para você essa reflexão.
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Agora, vamos revisitar a apresentação de “Thriller” no filme “This Is It”... Eu digo e repito: sempre foi um filme e não um ensaio para coisa alguma além.

Peguemos um verso da canção que diz: “I’ll save you from the terror on the screen” (Vou te salvar do terror [que você vê] na tela).

Ora, o que você vê na tela é um filme, uma ilusão... Então, como Michael Jackson pretende nos salvar de uma ilusão? Ou ele está falando aqui do holograma Matrix e que acreditamos ser a realidade?

Quem assistiu à trilogia “Matrix”, brilhantemente estrelada por Keanu Reeves, vai me entender com mais facilidade.

O ambiente escuro representa a realidade tridimensional, o caos em que vivemos, inconscientes de quem realmente somos, totalmente controlados e dominados pelo medo.
A escuridão é a inconsciência que nos torna presas fáceis daqueles do lado escuro da Força (a Matrix de controle), e de nossos próprios egos.

E como Michael nos salvaria dessa situação, desse estado denso de ser...? Pela sua própria Luz, sua essência divina nos fazendo enxergar que também somos luz, trazendo luz à nossa consciência... Não foi isso que ele fez à vida inteira, dentro e fora dos palcos?

Na letra da canção “This Is It”, que nomeou o filme, mas não estava incluída na playlist (Michael não a canta no filme), ele deixa bem claro: “É isso / Eu estou aqui / Sou a luz do mundo /Me sinto grandioso / Peguei esse amor / Eu posso sentir / E agora, sim, com certeza é real”.

A finalização surpreendente é ver Michael adotando uma postura semelhante ou inspirada em Jesus, com o olhar para o alto, os braços abertos em cruz, recebendo uma luz que vem do alto e que ele reflete de volta... Michael parece brilhar.

E, no último momento da cena, ele parece se elevar, como se ascensionasse ao Céu... Perceba que, nesse momento, os mortos-vivos desaparecem...

Aqui, eu provoco você a mergulhar fundo nesta brilhante metáfora intitulada “Thriller”:

1) Michael fala aqui de sua missão de elevar a consciência da humanidade, neste período atual de transição dimensional/vibracional planetária. Atente para o fato de que Thriller data de 1982, quando ninguém ainda falava nesse assunto...

2) E Michael, nesta cena final de Thriller, versão Thi Is It, não estaria falando de sua própria ascensão, em corpo físico, poucos dias após a última gravação do filme...?

Eu convido você a ver, ou rever, o vídeo “X-Scape – a Ascensão”, aqui mesmo nesse canal... 25 de junho de 2009 foi muito maior do que aparenta ter sido...

Boa viagem, queridos... nos mistérios e enigmas de Michael Jackson!



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domingo, 3 de dezembro de 2017

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

WE’VE HAD ENOUGH


BASTA!



Por Andréa Luisa Bucchile Faggion


Meus amigos, vamos celebrar! 'We've Had Enough' (Tivemos o Bastante)! A maravilhosa 'We've Had Enough', não é mais um desabafo sobre o linchamento que Michael Jackson vem sofrendo nas mãos dos neoconservadores, falsos moralistas e fundamentalistas que detêm o poder na América. Embora seja universal, no atual contexto, ela é sim um desabafo sobre o que o mundo todo vem sofrendo nas mãos desses republicanos de Bush que tratam gente "esquisita" com algemas e bombas.

Como estamos falando de Michael Jackson, não espere a banalidade de versos como "nós queremos paz" ou "a América mente". A música mais política da carreira de Michael Jackson, sim esqueça 'They Don't Care About Us', não carrega bandeiras políticas explícitas ou levanta bordões anti-Bush. Michael Jackson é o contador de estórias do mundo contemporâneo. Como os sábios de séculos ou mesmo milênios atrás, ele faz sua crítica com parábolas e causos. Foi assim quando ele dançou seus sonhos em forma de livro, por exemplo.

Em 'We've Had Enough', ele nos leva a imaginar como um pai contaria a uma criança sobre a morte da mãe em um ataque militar, e vice-versa. Há algo mais simples e direto do que esse apelo? Há alguma ideologia que se sobreponha à crua constatação de uma vida interrompida, justificando momentos assim?

Como me disse em conversa nosso ex-diretor e meu amigo Alvaro Zanotti, estes versos que retratam inocentes pedindo uma explicação sobre a orfandade provocada pela guerra soariam piegas na boca de qualquer outro. Com Michael, eles soam dolorosamente humanos, fazendo-nos pensar, ou melhor, sentir como pudemos permitir que isso acontecesse. Esta é uma das funções de Michael Jackson no mundo: ele nos faz ver o que há de mais simples que, de tão óbvio, não percebemos mais; ele nos mostra que teorias complicadas e sofisticações intelectuais não valem de nada perante a dor nua e humanamente crua.

Fazer-nos imaginar uma garotinha perguntando a um oficial se Deus lhe disse que ele poderia decidir quem poderia viver e quem deveria morrer é o jeito de Michael de nos ensinar que nenhuma idéia vale uma vida, como diz explicitamente e, portanto, sem a mesma força, uma canção brasileira. É o jeito de um homem simples que olha para a vida sem as lentes das convenções, das ideologias, das fórmulas e das regras... É o jeito de um homem que nos toca por olhar o mundo simplesmente como ele é. A propósito, será que um dia vão entender que é só isso que ele quer dizer quando diz que temos a aprender com as crianças?

Dizem os estetas que a arte é sempre crítica, mesmo em um conto de fadas de chapeuzinho vermelho, porque a arte é, no mínimo, a criação de uma utopia, ou seja, de um mundo que não tem lugar, ao menos ainda, no mundo real. Portanto, mesmo o artista mais apolítico, ao criar seu próprio universo, sempre coloca outra possibilidade de mundo e, assim, questiona, ainda que involuntariamente, o mundo que de fato existe.

Mas ao criar o mundo de 'We've Had Enough', Michael certamente sabia o que estava fazendo e, desta vez, não colocou nenhuma utopia. O que faz de 'We've Had Enough' sua obra mais política é justamente a identificação entre o conto e o real no contexto atual. A música fala, sem se referir, de uma realidade que não é só de guerra como também de possibilidade de mudança. Michael grita que temos escolha. Sim, os americanos, justamente agora, puderam escolher entre o "senhor da guerra que não gosta de crianças" e o mal menor, o falso caçador de gansos, John Kerry. Aliás, diga-se de passagem, eles, infelizmente, acharam que ainda não tinham tido o bastante.

Mas esta foi a ousadia política de Michael Jackson. Atacar a guerra, não pelas mentiras de Bush ou pelos prejuízos causados aos cofres públicos, mas por negar o direito que os pacificadores do mundo se deram de matar em nome da paz. Sua ousadia artística, por sua vez, se deu, mais uma vez, na estrutura da canção. Quase 6 minutos sem um refrão propriamente dito! Que rádio vai executá-la?

Bom seria se fossem todas! Bom seria se ela tivesse ecoado em toda cabine de votação da América! A propósito, esta canção me faz lembrar de um novo documentário que será lançado quase simultaneamente ao box set no Reino Unido. O documentário, que traz a participação da obsessiva psiquiatra Carole Lieberman e do falso detetive Ernie Rizzo, ambos em sua eterna cruzada contra Michael, nos diz que não podemos entender Michael Jackson, porque sua noção de realidade é por demais distante da nossa. Ora, antes nossa realidade fosse mais próxima da dele, não é? Ao menos, em sua fantasiosa Neverland, ao contrário do nosso real Iraque, as crianças estão a salvo, até que se prove o contrário...
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Fonte: http://www.reidopop.com/mjbeats/showthread.php/28785-Artigo-Basta! – Out/2004